Bakina Nolon

Teorias fenomenológicas esbaldam-se com  prudência. A história se escreve como sempre, de repente. Poetas murmuram frases perdidas. Um pintor se recorda de um momento de sua infância. O Sol a minutos de seu pôr. Enquanto ela fala em alta voz. O público observa a tese. Olhos abertos, outros se fecham. Diante do chão, o céu. Bakina discursa. Seu vestido claro e sujo não perde nenhuma elegância para uma tarde de solstício. Seu leve tom consome os cérebros desatinados. Um velho murmura "Quem é este espectro casmurro?" Ele que a vida inteira foi taciturno, agora balbucia mas se cala ao ouvir um bebê chorar. Violas e violinos emudecidos. A Terra não para de girar. Bakina não vacila, não mede e nem interrompe seu pensamento. Segue o discurso aos entes da revolução. Bakina sabe bem o que diz. Acredita nas fontes que brotam do chão. Ela não vê limites para a libertação. Os libertadores ela convoca com um lençol pintado na mão. E evoca os mártires de outrora. Sua voz é firme. Seus olhos vibram. Os entes a escutam com atenção.  Os claudicantes se ajoelham. Um cego reza. Um bando de aves se organiza nos galhos da árvore sob a qual Bakina proclama sua emergência. Seu pai ao fundo a observa. Seus olhos sustentam com dificuldade salgadas lágrimas de orgulho. Bakina persiste na tese. As aves, descrentes àquela fala, cantam para sobrepor a voz da jovem. Enquanto seus cabelos refletem com balanço os últimos raios do Sol. Todos os olhos ali brilham.

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