Noite grande


Sentou-se para beber as lágrimas de outros lugares. Um caso equóreo, de outros tempos. Em seu vestido se desdobravam anagramas desenhando uma esfinge. À sua frente um paradoxo de campos incógnitos. Vinham em vagalhões surpreendentes dores delirantes. E sua percepção monogramática trazia toda a velhacaria já há um tanto esquecida. Um segredeiro desvelado nos cascalhos de um meandro calmo. Brotavam dali todas aquelas lágrimas. Leite dos olhos ígneos, frios da fonte, ardiam de tão salgados que queimavam. Se davam em corredeira até encontrar a boca doce, arrastando a acridez do buço molhado pela emanação do azeite salpreso de todo um passado pouco palatal. Sorumbática enxugou aquele riacho da face como fazem com a pata todos os felinos. Derreteu em um suspiro todo aquele velho piáculo. Naquela noite grande soluçou o seu adeus. Naquela noite enorme de um céu cheio se perdoou. Levantou-se incoercível e partiu à larga. Ela não ousou olhar para trás.

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