Estudo 17 - Da desconstrução do imaginário dito poético (fase 1)


Todos os meus trabalhos dividem uma mesma origem, no fundo.
Em dezembro de 2024, fim do ano no qual conheci Portugal, entendi que valeria a pena tratar do que chamei de “arqueologia da minha poética”. 
Me coloquei a vasculhar minhas fases. 
Um esforço de identificar repetições, coincidências, padrões.
O fato de as coisas não irem muito bem na esfera de minhas emoções, ajudou muito.
Me lembrava de Portugal, daquele fevereiro, e a diferença que essa visita me trouxe na perspectiva de uma possível produção literária consistente. Me deu ganas de ser crítico à minha própria poética.
Depois de Portugal perdi o medo de desbravar as possibilidades de minha expressão, até então, apesar de — com a licença de modéstia, achava eu — bela, um tanto covarde.
Foi em Ovar que escrevi meu primeiro poema erótico; e gostei. Não ousei publicá-lo.
Em meados do início de janeiro de 2025 me reencontrei com esses escritos, 
Na época alimentava um blog para registrar as peças que eu considerava “finalizadas”
E na releitura das “finalizadas”, dos rascunhos e dos ensaios impublicáveis, me dei conta de “padrões fossilizados estruturantes” e repetitivos.
Foi mérito de um eu confuso, e só assim poderia ter sido. Me fez refletir que já seria tempo.
Era o terreno e o momento possível para a completa desconstrução das grandes colunas que sustentavam uma estética que, na época, eu considerava “arrojada”. 
No dia 21 de janeiro de 2025 decidi me empreender em derrubar tais colunas. Entender de onde vinha todo aquele universo: uma busca literária, uma expressão poética? Ou estaria no campo da “escrita terapêutica”, ou nos fiordes do ego, para alcançar um status de louvor como “escritor”, “poeta”, entre os meus? Em nome do que eu praticava a escrita, afinal?
Respostas que só um processo desconstrutivo poderia desvelar alguma direção. Algumas estruturas precisavam ser derrubadas, destruídas. Visava-se um desmoronamento.   
Só não sabia se o faria de perto, com minha marreta, meus pequenos golpes
Ou a distância com minhas catapultas.
Eu nem tinha começado, já me assombrava o fantasma do que seria uma "reconstrução".

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