Ensaio 35 (fim do inverno)

Se virasses tua cabeça para os lados desta aurora
Tu verias de relance com teus olhos de granito
Teu futuro projetado pelas luzes deste agora
Esculpido com sombras do teu passado infinito

Se então metesses tua aurora pelos teus cantos perdidos
Tu derramasses tua linfa onírica sem prejuízos
Verias a pedra líquida dos medos escondidos
Evaporar-se em ouro fino diante de teus risos

Se ao menos uma montanha em pranto ígneo selasse
Tuas voçorocas gigantes numa tarde de domingo
Teríamos um monumento ora imitando tua face

Se teu sereno cérebro vítreo, de tarde, dormindo
Daquele sonho de obsidiana, então despertasse
Verias o que tua história ora estaria te omitindo.

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