Sobre pulsares


Atentai aos pulsares
que cantam no crepúsculo:

Que tenhamos nesta noite os olhos do céu
Para vermo-nos, de longe, tão pequenos
Nossas pequenas cabecinhas errantes
Nossos pequenos rastros da pequenez.

Atentai aos pulsares
que cantam no crepúsculo:

Tenhamos a boca de um vulcão de mel
Erupicionemo-nos por muito menos
E que nossos terremotos crepitantes
Derrubem os alicerces da solidez.

Atentai aos pulsares
que cantam no crepúsculo:

Dancemos ao guizo de uma cascavel
Para acalmar a fúria de Vênus
Que nossos gritos ecoem distantes
Carregados por nossa embriaguez. 

Atentai aos pulsares
que cantam no crepúsculo:

Atentemos àquele pulsar fiel
Com seus cantos pouco serenos
Seus surtos quase constantes
No crepúsculo de nossa lucidez.

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