Poema que não fala do tempo

(Ilhabela, 7/7/22)

Naquela noite chegou-me teu olho
Uma gota de lava
Me queimava

Logo me veio a tua voz
Opinião feroz, canto amável
É-me ainda implacável

Logo tive a impressão
Do que vinha
Sentimento inefável

Perdi meu latim
Quis fingir, fugir, quis subir
Mas tudo me desce

É que teu cheiro
Teu gosto
Ora me devora

E essas suas cores
Não me sobram
Me dou em banquete

E sem escafandro
Mergulho

É essa tua lava quente

Nada sobe
Tudo me desce. 

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