Prece
Ante a tudo que se iluminasse, os meus olhos.
Minha fronte em meio a atmosfera perdoa o espelho.
Um reflexo transeunte que parte a todo momento.
E a tudo o que me desfigura, lhes sirvo uma aurora.
Uma esperança cadente.
E a tudo o que carrego em meus bolsos,
Ofereço-lhes um canto da mesa.
Ampara-lhes um ângulo de noventa graus.
Fiquem com ele.
Pois daí em diante é só a queda.
A partir de então lhes ofereço todo este meu espaço inerte.
Todo vácuo insistente que me ocupa o futuro.
Todos os declives do meu passado.
A textura do meu plasma.
Todos os meus sonhos esquecidos.
Um pâncreas e um punhado de lágrimas.
Ora! Para que me servem tantas estrelas em revolução todas as noites?
Onde está o centro-livre?
Dai-me vossa grande alavanca, Arquimedes!
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