O Banquete do Tempo - [2º colocado no XVII Concurso de Poesia de Ilhabela - FLAI 2022]

 

O tempo comeu o meu eu

Se serviu, cortou e mordeu

Cada dia um pedaço

Fez churrasco com meu braço

Tentei impedi-lo, propus um acerte

Mas ele se serve em banquete

Já compôs seu livro de receitas

Páginas já amareladas, contrafeitas

O tempo me desjejua com contumácia

Vou para a tábua com suspicácia

De entrada, meus olhos mexidos

Da frigideira vejo seus atos remidos

Ano passado deu uma festa

Serviu tortilhas da minha testa

Convidou toda a sua gangue

Tinha Bloody Mary com meu sangue

Assou meus pés com batata

Um cozinheiro tecnocrata

Acordo todo dia em sua panela

Viro logo mingau com canela

Sou sempre o prato do dia

PF, rodizio e à la carte

Um menu feito com ousadia

Destarte, já prepara seu baluarte

Uma sobremesa, para o dia do meu enfarte.



Primeira versão:


O tempo comeu o meu eu

Se serviu, cortou e mordeu

Cada dia um pedaço

Fez churrasco com a minha perna

Vinagrete com meu braço

Tentei impedi-lo, fazer um negócio

Organizei meu piquete

Mas ele se serve em banquete

Já compôs seu livro de receitas

Páginas já amareladas, contrafeitas

O tempo me desjejua com contumácia

Vou para a tábua com suspicácia

Minhas orelhas vão para a chapa

De entrada, meus olhos mexidos

Minha atenção quase escapa

Da frigideira vejo seus atos remidos

Ano passado deu uma festa

Serviu tortilhas da minha testa

Convidou toda a sua gangue

Tinha Bloody Mary com meu sangue

Assou meus pés com batata

Um cozinheiro tecnocrata

Acordo todo dia em sua panela

Viro logo mingau com canela

Sou sempre o prato do dia

PF, rodizio e à la carte

Um menu feito com ousadia

Destarte, já prepara seu baluarte

Sua melhor sobremesa

Para o dia do meu enfarte.



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