Devir

 

Deito neste teu leito impregnado
de tantos anoiteceres.
Já perpetua teu perfume
que tomou o amanhã
em todos os seus cantos
e em todos aqueles sentidos.

Falo daqueles minutos equatoriais
plenos de esperança.
Reparo mil sonhos que se elaboram
ainda agora e um tanto depois.
Planos perfeitos e outros decadentes.
Sonhos dentro de sonhos.
São destes bocejos líquidos.

Percebo aquilo que mais me instiga.
Que às vezes se perde entre os cômodos
daquela nossa morada onírica.
Que talvez nesta noite eu venha adentrá-la.
Te encontrar naquela sala.
Ver estantes de livros devolvidos,
abajures gigantes e coloridos
e alguns panos de prato jogados, mas limpos.

Cobre-me teu firmamento
teu teto infinito: telhado comprido.
Já me elevam teus calcanhares enquanto cozinha.
Jantares de Urano servidos em pratos de areia,
copos de algodão, guardanapos de vidro.
Pois era aquilo que me havia acometido,
um sonho permanente e inesquecível.

E persigo, em delírio, tua certeza em palavra,
e quase não a consigo.
E neste vago e curvo e indescritível destino
Quero-te em um sempre e que dorme contigo.
Desperta sonolento e logo vê
tais curvas de teus suspensos vestidos.

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