Um novo vale
Nos tortuosos
& últimos dias
deste inverno
[brota-me do
estômago
um rio.
Flui em curvas
estranhas & ruidosas,
[cavando meandros
inconcebíveis
& imperdoáveis.
Deita sobre a viela.
[Desliza voluntarioso.
Atinge desfigurando
[a esquina da rua,
solapando tudo.
Empurra o vento
& tudo no caminho:
carros, árvores, cães.
[& empurra o tempo
& todas as pessoas.
Corta a carne do morro.
Divide tudo em dois mundos.
[Faz um vale na existência
que se dá sobre a terra
& o asfalto.
Segue em direção à praia,
do céu voltando para o mar.
Carrega toda terra desprendida,
seixos, pedregulhos... [& meus orgulhos.
Tromba d'água
[de minh'alma
ainda perseverante.
[Espreme minha aurora com seu desígnio errante.
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