O melhor amigo
De quais sentimentos te colocas como poeta
Se o dizes ser a escrever o inefável
A te permitir sensações fantasmagóricas
Em teus medos perpétuos
Em teus delírios constantes
A perpetuar tuas hecatombes
Em tua vida que valida teu sepulcro
Dia após dia, em tuas letras desencontradas
Colocas-te em palavras perdidas na pauta
Nesses teus cantos assombrados
O teu próprio mensageiro das sombras
Que surge em teu âmago, da tua intimidade
E te expõe em demasia diante de um mundo
A aniquilar-se naquilo que te perpetua
A redigir tuas lágrimas incessantes
Em linfa e sangue
Neste ato autofágico e permanente
Devoras-te para esquecer o ontem
Sobram-te as inesquecíveis feridas
De um hoje frio, duro e branco
Para um amanhã inexistente
E inexoravelmente distante.
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