Lisboa
Me parto de Lisboa
Por meus pés que se levantam
Esfolados
De seus Restelos, seus Altos
E seus Chiados
Tristes fados da última noite
A contar seus cêntimos
E meus centavos
Me despeço agora de Lisboa
De seus cais e miradouros
De suas Alfamas
Seu vocábulo engraçado
Nada à toa
Nem suas incontáveis gruas
Nem seus derrames d'água
Ou suas lojas de souvenirs
Para o souvenir
De minhas lembranças
Já em um tanto no passado
Em uma janela, emoldurado
Como doces lembranças
Que em minhas entranhas
Já refletem um azulejo
Pintado por suas pessoas
Que se dissolvem em seu Tejo
A desaguar naqueles mares
Vou-me mais pelo ensejo
Parto hoje numa boa
Vou-me logo desses ares
Desses tempos de Lisboa.
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