Ensaio Primavera n° 1
Toneladas de insetos
Deambulam, sobrevoam
Ou rastejam
Sobre todos os lugares
Um eu vira de lado, vai de bruços
Enquanto outro permanece
Deitado sobre o dorso
E percebe o movimento realizado
Em alguma existência paralela
Montes de fungos
Atravessam a madrugada
Quase calados
Compenetrados
Na umidade da madeira
Um berço perfumado, janelas abertas
Cortinas ao vento
Olha um bebê, novato nessa
Olha atento
E admirado
Sobre a mesa um bolo esfria
Tecido esponjoso
Carne da farinha
Exala aromas do fogo
E da baunilha
Mais ali, um café circundado
Um pássaro de pedra
Uma pena desidratada
Deita um Neruda, outro London
Aportados na velha peroba
Lá fora dúzias de borboletas
Pacientes contornam a curva do vento
Dobram o sol com seu amarelo
Parecem ser só asas que voam
[Têm mais asas que alma]
Parecem ter mais atos
Que pensamentos.
O cedo domina a tarde
Vejo-me de bruços, nesses tempos
Meu humor intrigado
Uma farpa do inverno
Traço incomodado
Tudo perdoado
Saibam que estamos à deriva
Depois de um solstício, tudo é possível
Estrelas balançam as sombras das pedras
Quasares cantam cegos pelas manhãs
O arrebol que se faz
Vai mais além
Do que as aparências.
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