Estudo 21 - Da desconstrução do imaginário dito poético (fase 1)
Escreve para levantar com sílabas cordilheiras coordenadas. Redige uma espinha dorsal entre as latitudes oito e oitenta, salpicada de cumes nevados que se apresentam em verbo aos céus para dizer estrondos incompreensíveis.
A terra balança quando a palavra escorrega. É um abalo sísmico na legenda da vida. Um jogo perigoso e nobre. Mais a ver com a Física, pois trata de pulsões que se comportam como energia, mas que são lidas como um arranjo de partículas.
Escreve para tratar do intransponível, e transpõe assim a morte. Não crema, não enterra. Ao escrever ressuscita predicados putrefatos. Lhes dá chance a uma nova infância. Abre um novo olho d'água nos vales da história. Frases incontidas que se dobram em tortuosos meandros na perspectiva possível e insondável da redação. São águas vermelhas cristalinas. Um exercício hemorrágico que não se estanca. Um ato inconjugável diante de infinitos pronomes. Se coloca em estado infinitivo. Não adota tempo. É um ato sempre afirmativo.
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