Amanhece

Notei, no amanhecer, um sentimento profundo
Que dava nota ao que pesava em meu futuro no mundo
Um sentimento tardio, metálico e confuso
Dava-me ganas de assumir o que mais recuso
Tive medo de parar este tempo exagerado
De um eu lúcido, mas já há um tanto desamparado
Tive medo de evocar o vulcão do passado
Com um canto ancestral em demasia ultrapassado
Rever o novo magma dos meus adolescentes continentes
Aquele novo, que novo então já era e não se faz agora diferente
Pensei, indiferente: mas está tudo bem assim
E quase sucumbi novamente à minha ignorância sem fim
O que me trazia exatamente esta manhã?
Se ainda me fosse uma prece ou um talismã 
Mas não, é simplesmente algo que acontece
De fora para dentro enquanto o tempo se desvanece
Pareceu-me uma chance, um tombo, uma carência
De um eu encapsulado, em infinito estado de emergência.

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