Pesadelo

Um pesadelo âmbar soterra o pontal
Do cruzeiro à restinga, tudo caramelo
A escuridão pesa ocre, fazendo uma curva
O tempo até se controla, fazendo sentido horário
Da base não se vê o céu de bismuto
Nuvens de mel de proveniência anabática
Se agrupam no agridoce e rígido
Único cume das redondezas
Uma pedra metálica reflete uma lua nascente
Desaba uma chuva grossa de sopa fria
Caldo apimentado dos medos absurdos
A relva grita insondáveis hinos agudos
Graves ondas pulsam
Rebatendo troncos infinitos
Um par de olhos fossilizados observa
Uma cordilheira óssea aflora
Luzes dançam em veloz círculo
O último ponto se dispersa
Num infinito preto líquido.

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