Ponto Libra

Avistamos pelos céus, nesta tarde
Entre nuvens densas, um vulto de luz
A brilhar como uma espada que arde
A gritar um estrondo que nos conduz

Ventos fortes abriram as portas do equinócio
Por ali escapou a primavera das celebrações
Pôs o inverno em seu estado urgente de ócio
São os tempos das profundas elucubrações

O que o inverno realmente nos deixou?
Fomos nobres o suficiente?
Foi uma porta que se fechou
Ou uma janela que se abriu de repente?

Também nos perguntamos, como o poeta
O que nos esperava em Isla Negra
Entre objetos passados do profeta
Nossa história se fez em uma épica grega

Trouxemos nosso prêmio heroico
A flauta para cruzar o Ponto Libra
A virtude de nosso canto estoico
No bolso, aquela pedra que vibra

Na memória, aquele vulcão voluptuoso
A pele das pétalas daquele copihue
A bandurria e seu canto poderoso
A melodia amarela daquele chirihue

Para o futuro, um verão misterioso
Que já se incuba primaveril
Talvez um sonho grandioso
Com requinte da imaginação pueril

Vamos em frente com o que nos carrega
Estaremos atentos às dobras do destino
Ao azul da oportunidade que congrega
E adoça o estado mutante contínuo

Assim que passar esta tempestade
Mudam-se os ares da atmosfera
O inverno já será uma saudade
O céu já será de primavera.







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