A embarcação
Acertou deveras uma proa magnética
Buscando marcação mais à esquerda
A fugir dos rumos que levam às dores
À insatisfatoriedade eterna da perda
Uma fuga frenética
Ad instar cerebrinos rumores
De dias sem cores
Para aqueles lados
Então, olhos calados
E simples atos menores
Girar a roda, ajustar o pano
E ocupar aquele leme calvo
De cumprir sem engano
Seu desígnio primário:
Infringir no sumarento azul
Um momentum preciso e calmo
Parecendo um ato involuntário
E vai orçando, lenta, contudo
Para, caturrando, guinar para o sul
Então, ajusta-se tudo
A roda, os panos, o mundo
Com coragem, e
Aproveitando um travessão
Do leste (já escuro) oriundo
Para seguir sempre viagem
Irresignavelmente na direção
Daquele sul profundo.
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